sexta-feira, 23 de maio de 2008

Queimando fotos numa tarde de solstício





Artista: Ryan Adams
Disco: Rock N Roll
Lançamento: 2004
Normalmente não se consegue dimensionar o verdadeiro grau de empatia de uma música quando a escuta pela primeira vez. Como se o cérebro precisasse de algum tempo para calibrar a dosagem de hormônios adequada para as emoções que podem ser geradas a partir de um arranjo, voz ou letra.
Não à toa, é comum você “achar” uma música de um álbum que você já escuta há um bom tempo, após escutar exaustivamente o hit causador da compra do seu CD (Desculpe-me os mais novos, mas eu ainda venero álbuns, apesar de não ter nada contra os P2P da vida, muito pelo contrário, eles são uma das poucas reações do capitalismo darwiniano que pesou a favor do povo e não da minoria abastada. Eu acredito e defendo os direitos autorais, mas a resposta à especulação e ao superfaturamento de majors e artistas foi bem elaborada).
Bem, voltando ao assunto da avaliação a longo prazo do que se escuta, gostaria de revelar um artista que de início não dei o valor merecido, mas que agora não sai no on-the–go do meu iPod.
O nome do cara é Ryan Adams. Eu havia comprado 2 cds dele há uns 4 ou 5 anos atrás (Demolition e Rock N Roll respectivamente). As primeiras músicas que escutei dele foram Nuclear e You Will Always Be The Same. As duas me conquistaram de imediato. Nesta época, eu estava na casa de praia da minha família passando férias e, por isso, escutei diversas vezes Ryan Adams sentado numa cadeira de praia em finais de tarde sentindo o clima fresco avançar após o calor rotineiro dos solstícios. A questão é que, por estar constantemente escutando coisas novas, ocasionou de Ryan Adams preceder uma enxurrada de novas e excelentes músicas, acarretada por um período fértil na indústria fonográfica (definido por mim como El niño fonográfico).
Após comprar meu iPod (sem dúvida a melhor compra do ano) passei a alimentar meu tamagoshi musical com minha coleção discográfica e reencontrei Ryan Adams escondido ao lado dos meus cds do Radiohead. No vício de encher o meu eletrônico de estimação com o maior número de músicas possíveis (tal como os escrotos produtores do patê foie grass ). Eu adicionei o cara no meu set list e desde então o tenho encontrado no modo shuffle, passando, como disse anteriormente, a posto de on-the-go hoje em dia.
Burning Photographs é irresistível, dá vontade de escutar toda hora. Anybody Wanna Take Me Home é uma música tão sincera que dá vontade de chorar. Merecem destaque This is It, So alive e Luminol.

Um comentário:

Patrícia Rocha disse...

Oi! Bem é meu 1º comentário no seu blog! Quero deixar exposto minha admiração! E digo de coração que ainda vou comprar um livro seu! RS Li essa nota sobre o cd, e confesso estou baixando na internet, pois, vc descreve tão apaixonadamente, que dá vontade de escutar!!! Bitocas e Parabéns!